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Adair Aguiar (Kabum) - Entrevista Especial com Sergio Mamberti |
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Introdução.
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No debate de cultura de hospitalidade,
realizado no Fórum Mundial de Turismo que aconteceu nos
dias 24, 25 e 26 de outubro no Forte de Copacabana, reuniu diversas
autoridades do governo e de instituições privadas.
Entre eles o ator e Secretário da Identidade e
da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura,
Sérgio Mamberti, falou em entrevista para o projeto Youth
Destinations, desenvolvido pelo Iko Poran
e pelo Instituto de Hospitalidade. |
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Sérgio Mamberti alertou para a cultura hegemônica que invade o Brasil através do audiovisual, principalmente o americano. Essa ação cultural motivada pela globalização, bombardeia nossa diversidade cultural, porém essa troca de cultura, na sua opinião, tem que se dá de forma equilibrada. |
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O Secretário também falou da “Antropofagia”, citada por Oswald Andrada. E ainda citou a polêmica que existe atualmente entre o SEBRAE e o Ministério da Cultura, que a cultura de artesanato deva ser abrigada pelo Ministério da Cultura e cobra uma estatura mais sólida para sustentar essa atividade. |
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1. YOUTH DESTINATIONS: O que o Ministério da Cultura pode fazer para otimizar essa cultura de hospitalidade no turismo? |
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| SERGIO MAMBERTI : |
Isso vai depender do entrosamento entre as políticas públicas do Ministério da Cultura e do Ministério do Turismo, pois cultura é gente, é diálogo, é emoção. Se você chega numa bela praia do litoral brasileiro, com uma bela estatura hoteleira e de restaurantes e se o tratamento é frio, se não existe esse calor (comum aos brasileiros), esse ponto turístico perde sua identidade, ela passa a ser igual a qualquer coisa. O que dá identidade, qualidade, ou o que cria esse jeito especial do brasileiro é justamente o que cada brasileiro na nossa diversidade cultural tem as suas especificidades, mas como característica comum a todos brasileiros é o fato de ter esse lado extremamente aberto ao diálogo. Isto é uma característica do brasileiro, em contraposto a cultura de outros paises, por serem mais reservados, e a gente até se surpreende quando eles têm uma relação mais calorosa. Uma vez que o Brasil já tenha essa característica a gente tem que sistematizar esse processo e aprofundar essa relação. |
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2. YOUTH DESTINATIONS: Existe algum investimento do Ministério da Cultura para apoio e inclusão de novos artistas que surgem? |
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| SERGIO MAMBERTI : |
O governo dispõe de alguns Mecanismos, o SEBRAE por exemplo, tem investido muito nessa questão do artesanato, e na arte produzida em diferentes segmentos sociais, como em diferentes culturas. Mas hoje existe uma polêmica que o artesanato deva ser abrigado pelo Ministério da Cultura e virá um projeto de lei para que isso se concretize. Eu defendo essa opinião, e o Ministério da Cultura deveria ter uma estatura mais sólida para poder abrigar uma atividade que hoje representa uma contribuição ao P.I.B. bastante considerável. Na verdade a minha secretária, a de Identidade e Diversidade Cultural, foi criada para atender e criar políticas públicas que venha beneficiar outras linguagens, que não as linguagens artísticas profissionais, onde você pode tá falando de todas culturas populares, da cultura dos povos indígenas e particularmente das culturas urbanas, fomentando assim esses artistas para que eles possam, com o dinheiro público, incrementar e desenvolver o seu processo. Assim o Ministério vai conseguir um resultado muito importante e isso certamente vai refletir no turismo na medida em que toda pessoa quando vai a um país ele quer levar alguma lembrança, alguma coisa que traga um pouco da emoção que ele sentiu visitando aquele lugar. |
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| 3. YOUTH DESTINATION: |
A cultura brasileira é uma miscigenação de culturas, tem varias influencias. O que se pode fazer para amenizar os efeitos das culturas de outros países na nossa cultura? |
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| SERGIO MAMBERTI : |
Hoje temos a cultura hegêmonica, que é a cultura que vem do audiovisual e, particularmente, dos Estados Unidos, mas a nossa diversidade cultural ficou muito à mercê desse bombardeio da globalização. Hoje a Convenção de Diversidade Cultural, que foi promulgada no dia 20 de outubro, ela vem nessa direção, ela vai dar respaldo, para que cada vez mais as políticas públicas do Ministério vão nessa direção. Isso não quer dizer que a nossa cultura tenha que ficar isolada. Uma característica da nossa cultura é que ela tá sempre aberta a essa troca, porém essa troca tem que se dá de forma equilibrada, que não apague os traços característicos a cada uma dessas. Oswald Andrada fala de antropofagia, ele dizia que o Brasil, desde a chegada do Bispo Sardinha, quando foi devorado pelos índios, digere tudo que chega e transforma a partir da nossa realidade, da nossa visão. Mas ao mesmo tempo não podemos colocar a nossa cultura num freezer, isolada, para se preservar, porque cultura é fundamentalmente diálogo. E temos que criar esses mecanismos de proteção que permite que os cinemas brasileiros não mostrem apenas filmes americanos em detrimento do cinema brasileiro que não tem espaço para ser exibido. A gente tá num momento, não só pelos compromissos assumidos pelo Ministério da Cultura do Governo do Lula, mas internacionalmente os E.U.A. sofreu uma derrota, que não quer dizer que a gente não tenha outros obstáculos e outras batalhas, no âmbito da Organização Mundial de Comercio (O.M.C.), particularmente no que diz respeito à indústria cultural, nós vamos travar algumas batalhas importantes mas já a partir de um patamar diferente, hoje essa convenção vai dar base pra você desenvolver políticas públicas, principalmente no sentido do fomento e da preservação dessas manifestações tão bem colocadas nessa entrevista. |
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